Maria de Magdala: nosso maior exemplo de reforma interior

Por Sônia Regina Neves Oliveira.


Maria de Magdala nos ensina que nossa verdadeira felicidade depende de nossa transformação moral. Quando assim fizermos, o Mestre virá ao nosso encontro, dizendo-nos, “Vem, já passaste a porta estreita!”.


Até que ponto estamos dispostos a nos transformar por amor ao Mestre? Maria, a mulher de Magdala, mudou de um extremo ao outro: da vivência da beleza física e dos gozos materiais à vivência dos valores eternos, tornando-se o maior exemplo de reforma íntima para a Humanidade.


Magdala era uma pequena cidade que circundava o lago de Genesaré, na Galileia, um centro de comércio onde circulavam mercadores e aventureiros do Oriente. Há muito, o coração de Maria tinha fome do amor verdadeiro. Dona de rara beleza e muitas posses, Maria de Magdala ou Madalena, entregava-se à satisfação dos gozos materiais, à luxúria, à vaidade. Morava em um luxuoso palacete e possuía tudo que desejava, buscando preencher seu coração sempre vazio. Ouve falar de um homem que andava por aquela região: era Jesus de Nazaré. Escuta seu Evangelho, acompanha suas pregações e toma-se de profunda admiração por aquele que chamava os homens para uma vida nova. Seus ensinamentos ecoam em sua alma. Quer conhecê-Lo, mas sente medo: será que Jesus a aceitaria? Sabia que, pela lei dos homens, era uma mulher perdida que deveria sofrer lapidação em praça pública. Mas, como desistir se seu coração já pressentia os primeiros raios de luz?


Enche-se de coragem e vai ao encontro do Mestre, sabendo que estaria em Cafarnaum, na casa de Simão Pedro. Jesus a recebe com o amor do pastor ao encontrar a sua ovelha muito amada que estava perdida e a chama pelo nome. Ela abre seu coração e fala de seu passado de erros e enganos. Ele a aceita como é e a convida ao recomeço. Ensina-lhe que o verdadeiro amor é aquele capaz da renúncia de si mesmo e do sacrifício por seus irmãos. Maria sai aflita, pois já prevê as batalhas interiores que enfrentará. Seu coração, porém, já vibra de alegria, reconhecendo naquele Homem o caminho, a verdade e a verdadeira vida!


Volta para seu palácio e liberta-se de todos os seus bens. Veste-se de maneira simples, e seu exterior já começa a refletir as mudanças em seu espírito. Encontra-se mais uma vez com Jesus na casa de Simão, o fariseu, e, diante dos doutores da Lei, enfrentando os olhares acusatórios e preconceituosos por ser considerada pagã, num ato de profunda entrega, lava os pés do Mestre com suas lágrimas, unge-os com óleos perfumados e seca-os com seus cabelos.


Diante de tanto amor, o Mestre lhe diz “Perdoados são os seus pecados. Vá, Maria! Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta. Mas a fé remove os obstáculos. Nada temas: é preciso crer somente!”.


A extraordinária mulher nunca mais abandona seu Salvador. Sua vida de posses, nobreza, luxúria cede lugar a uma vida simples. Segue Jesus, participa de suas pregações, acompanha os discípulos nos cuidados com os pobres e estropiados do caminho, convive com Maria de Nazaré, absorvendo suas histórias e experiências. Permanece ao pé da cruz, acompanhando o doloroso flagelo de Jesus, ao lado da Mãe Santíssima e de João e, após três dias, é a ela que o Mestre se apresenta às portas do túmulo, chamando-a novamente pelo nome, “Maria”. Ela, emocionada o reconhece, e sai com alegria para anunciar aos discípulos o que tinha visto: o Mestre ressuscitado não nos deixou órfãos, como havia prometido!


Após a ressurreição, os discípulos seguem novos rumos a serviço da Boa Nova, levando o Evangelho a toda parte. Maria de Magdala segue sozinha e confiante. Encontra um grupo de leprosos que seguia para Cafarnaum à procura do Messias e neles reconhece a sua tarefa: oferecer-lhes o alívio das chagas do corpo e da alma, levando a cada um a mensagem redentora do Evangelho, a esperança na vida futura, sendo para eles o alento, a mãe que julgava jamais ser um dia.


Após período de incessante trabalho e dedicação em benefício dos leprosos, nos quais reconhece sua verdadeira família, percebe em seu corpo os primeiros sinais da doença: estava com lepra. Revolta-se? Não, resigna-se, reconhecendo na dor a grande oportunidade de resgate e renovação de seu espírito. Quando sente que a doença colocaria fim à sua trajetória, volta a Éfeso para rever antigas afeições: João e Maria de Nazaré. Despede-se de seus irmãos leprosos que beijam-lhe as mãos em profundo agradecimento. Com muita dificuldade chega às portas da cidade e cai sem forças. Socorrida por moradores desfalece e quando volta a si está nos braços de Maria de Nazaré. Após longa agonia, seu espírito liberta-se do corpo e ela vê Jesus aproximar-se mais belo do que nunca. Ele lhe estende as mãos e ela o reconhece, e ele com o olhar amoroso de sempre lhe diz: “Maria, foste fiel até o fim. Já passaste a porta estreita. Vem!”. Assim, ela adentra o paraíso nos braços do próprio Mestre.


Que possamos nos espelhar nesse grandioso exemplo! Ter a coragem de reconhecer nossos enganos e nos lançar ao trabalho incansável de reforma interior, amando nosso próximo, semeando em nossos corações os verdadeiros valores do espírito.


Referências bibliográficas:

ARMOND, E. O Redentor. São Paulo: Aliança, 1991.

JACINTO, R. Maria de Magdala. São Paulo: Luz no Lar, 1997.

MAIA, J. Jesus Voltando. Minas Gerais: Espírita Cristã Fonte Viva, 1999.

XAVIER, F. Boa Nova. Rio de Janeiro: Feb, 2003.


(Publicado na 6ª edição do Jornal Fraterno Maria de Nazaré, em agosto-setembro de 2016.)

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