Falsos Profetas

Por Edson Outtone.


O homem acostumado às facilidades, ao comodismo, sempre está em busca de soluções prontas e imediatas para seus problemas. Desconhecedor das leis divinas como também de si mesmo, não sabe das suas possibilidades, nem tampouco que tudo é consequência dos próprios atos ou de provas necessárias ao seu aprimoramento.


Durante muito tempo, à semelhança do filho pródigo, o homem viveu apartado de Deus, numa busca incessante dos interesses mundanos, ávido de coisas que pudessem satisfazer seu egoísmo e vaidade.


Mas, quando as dificuldades chegam e as soluções não aparecem, o homem lembra-se então que é filho de Deus, e cego pelo desespero, corre em busca de respostas milagrosas nos templos, igrejas, terreiros, centros espíritas, cartomantes, videntes mesmo que, para tanto, tenha de se submeter a exigências racionalmente descabidas.


É assim que cai nas mãos de pessoas desprovidas de qualquer sentido ético, que usam textos bíblicos para apresentar-se como intérpretes da vontade de Deus e que, mediante alguma recompensa, podem trazer soluções para qualquer tipo de problema, seja de ordem sentimental, financeira, familiar, de saúde etc. Desta forma, os incautos submetem-se às exigências desses chamados falsos profetas ou falsos doutores que prenunciam o futuro e soluções conforme os interesses almejados.


Vários apóstolos de Jesus alertaram a respeito dos falsos cristos, falsos profetas e falsos doutores. Mateus os apresenta como lobos travestidos de ovelhas, Marcos diz que muitos em nome do Cristo se levantarão anunciando grandes prodígios e maravilhas, João alerta para não acreditar em todos os Espíritos, mas buscar provas que são de Deus, e ainda Pedro, Judas Tadeu e Paulo em suas epístolas anunciaram que muitos se apresentariam para enganar corações inocentes.


O Espiritismo, como doutrina dos Espíritos, trata especificamente das relações entre encarnados e desencarnados por meio da mediunidade e alerta que muitos usam dessa maravilhosa ferramenta para se apresentar como conhecedores do futuro, ledores da sorte, intermediários de Deus que trazem soluções para todos os tipos de problemas, mas que não respeitam o princípio básico da mediunidade que é “dar de graça o que de graça recebemos”. A mediunidade não é aprendida em escolas, não é fruto de exercícios, nem depende só da vontade do homem, pois carece que órgãos adequados para sua manifestação, portanto Deus concede a faculdade mediúnica para a prática da caridade e não para ser meio de comércio.


Mas como acautelar-se dessas situações?


Como ensina o Evangelho, a boa árvore dá bons frutos, portanto, o homem bom, só faz o bem e jamais vai cometer qualquer ato que seja contrário a Lei do Amor, pois aprendeu que deve amar o semelhante como ama a si mesmo, e isto significa colocar-se sempre no lugar do outro para orientar suas próprias ações. É sempre prudente conhecer as obras daqueles que profetizam o futuro, pois muitos são enganadores que nada fazem daquilo que preconizam.


Importa ainda considerar que toda dificuldade material, física ou social é aprendizado e aperfeiçoamento para o Espírito. Devemos esquecer a falsa ideia que sofrimento é pagamento de dívida, ninguém é devedor de Deus. Se há alguma dívida é a do homem para com sua consciência em razão dos atos praticados. A culpa cobra reparação, mudanças de atitudes, correções de comportamentos, restabelecimento de relações fraternas, respeito pelo semelhante, só assim o Espírito estará livre e reeducado provando que bem aproveitou a oportunidade bendita da reencarnação.


Todas as coisas obedecem a uma lei universal de ação e reação, isto é, toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário, portanto o bem ou o mal do presente é o retorno do bem ou do mal praticado no passado. Se há problemas, é necessário conhecer a causa, pois, sem reparação, não há profeta ou doutor que possa dar jeito.


Melhor do que buscar soluções fáceis, deve o homem conhecer as leis divinas, pois aquele que compreende crê melhor. Lembrar que Deus é Pai de todos e não desampara a nenhum de seus filhos, que, como ensina o Evangelho, aquele que busca achará, àquele que pede lhe será dado, àquele que bate a porta se abrirá, portanto antes de correr em busca de soluções fáceis, o homem necessita conhecer melhor os ensinamentos de Jesus, buscar esclarecimentos antes de soluções, fortalecer a fé pela prece e pela certeza que Deus sempre está ao seu lado, enviando Espíritos amigos como os anjos de guarda que nos inspiram os pensamentos, orientam como melhor proceder, e só assim o verdadeiro cristão poderá com seus próprios esforços mudar o seu destino, melhorar o seu futuro e encontrar soluções possíveis para seus problemas.


Podemos concluir esta reflexão com outro ensinamento de Paulo de Tarso que, na I Epístola aos Tessalonicenses orienta a todos a “examinar tudo e reter o que é bom”, pois não se pode cegamente acreditar em tudo e em todos, é necessário agir racionalmente, com cautela e prudência, ouvir a própria intuição e se orientar com pessoas sérias, comprometidas com a causa divina, que respeitam o próximo, que praticam primeiro e ensinam com seus próprios atos e que jamais se sujeitariam a se comprometer com sua própria consciência, condicionando seu trabalho a qualquer tipo de recompensa.


(Publicado na 9ª edição do Jornal Fraterno Maria de Nazaré, janeiro de 2017.)

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