"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" 8

Por Walderez Nosé Hassenpflug.


A justiça é um dos temas recorrentes do Sermão da Montanha, atestando a importância com que deve ser tratada pelos seguidores de Jesus. Nesta oitava bem-aventurança Jesus anuncia que o reino dos céus é daqueles que sofrem perseguição por causa da justiça, ou seja, é daqueles que, apesar de se sentirem perseguidos, se determinam a expressá-la em suas ações com convicção, sem temor, baseados nos princípios e valores que emanam do Evangelho de Jesus.


Vale notar que Jesus utilizou o verbo no presente (deles é) e não no futuro (deles será) o reino dos céus. Na primeira bem-aventurança Jesus também afirma que o reino dos céus é dos humildes de espírito, daqueles que combatem o orgulho, a vaidade, a arrogância, a presunção, dos que submetem a sua vontade à vontade de Deus e que se curvam perante o seu Senhor, reconhecendo o quanto dependem d’Ele.


O que podemos inferir do que acabamos de relatar é que a recompensa aos humildes de espírito é a mesma daqueles que sofrem perseguição por serem justos. Essa recompensa é sentir no íntimo – e no próprio decurso das nossas ações em que expressamos humildade e justiça – a alegria, a felicidade de quem já participa do reino dos céus. Dessa forma, Jesus nos estimula a alcançar a bem-aventurança associando a nossas ações justas à humildade, engrandecendo a ambas.


Para tanto, Jesus nos recomenda na quarta bem-aventurança, que tenhamos fome e sede de justiça e que seremos fartos quando nosso esforço para saciar essa fome e sede for tão ingente quanto o nosso empenho em aplacar a fome e a sede do corpo físico, lembrando que Jesus nos recomenda não ficarmos ansiosos com o que comer, beber ou vestir, porque a vida é mais importante do que essas coisas. A nossa prioridade é buscar “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”.


João afirma, em sua primeira epístola, que ao sermos justos entramos em sintonia com Jesus: Se vocês sabem que Ele [Jesus] é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido d’Ele. Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como Ele [Jesus] é justo.


Reconhecemos que não somos capazes de praticar a justiça com perfeição, mas nada nos impede de nos aproximarmos desse ideal cuidando para não agirmos impulsivamente e sim refletir para ter a certeza de que estamos orientados pelos padrões de justiça recomendados por Jesus.


É justo praticarmos a caridade e a misericórdia, pois somos todos irmãos, mas atentos para que as nossas ações não sejam contaminadas pela ostentação e vaidade. Adotar uma postura ética de respeito e humildade nos afastará de contaminar nossas ações. Por isso Jesus nos alerta: "Tenham o cuidado de não praticas suas obras de justiça diante dos outros para serem vistos por eles... Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente." (Mateus 6:3,4)


Testemunhar a nossa justiça nos alegrará a cada novo testemunho, a cada vitória contra a indiferença ao sofrimento do outro, contra o temor de não sermos compreendidos ou aceitos. No entanto, precisamos considerar que testemunhar a nossa fé por meio de atitudes justas em um mundo eivado de injustiças, em que muitas vezes prevalece a lei do mais forte, dos poderosos, dos violentos e dos radicais, não será tarefa fácil e nos fará sofrer. O testemunho do justo incomodará a estes, que reagirão no sentido de desqualificar ou menosprezar suas manifestações.


Por mais difíceis que sejam nossos testemunhos é preciso não desanimar e não desistir, mas reafirmar com firmeza, respeito, tolerância e amorosidade os valores e princípios que defendemos, sem agredir, nem impor. Essas atitudes marcam pelo exemplo nossos opositores, fazendo-os refletir sobre as novas sementes que lançamos em seus corações e que poderão um dia germinar.


Frente às dificuldades, às incompreensões, podemos fortalecer o nosso ânimo ao relembrar as palavras de Paulo de Tarso aos filipenses: ... tudo posso naquele que me fortalece. (4.13). Quem nos fortalece é nosso Mestre Jesus que, conhecedor da nossa pequenez espiritual e também do nosso potencial como filhos de Deus caminha com cada um de nós na vida nos estimulando a avançar, sem esmorecer. Que Ele nos abençoe e fortaleça.

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