Tragédias, mortes, epidemias, será o Apocalipse?

Por Edson Outtone.


O novo milênio era esperado pela humanidade terrena com muita expectativa, pois ecoavam nos pensamentos do homem os anúncios proféticos dos Maias e do Apocalipse de grandes mudanças que deveriam ocorrer, induzindo a possibilidade do fim do mundo.


Os povos do oriente e do ocidente viram desencadear catástrofes assustadoras com tsumanis, terremotos, ataques terroristas, atos criminosos de variada espécie, epidemias diversas, todos a dizimar significativa parcela da humanidade terrena. A sensação aparente é de que a sucessão desses eventos significa o prenúncio do fim da vida na Terra.


Veio o ano de 2001 e, em que pesem os eventos acontecidos, não se consumou a esperada destruição total conforme interpretações do livro bíblico. Passada a primeira década, as atenções se voltaram para o ano de 2012 anunciado pelos Maias como o ano das grandes transformações. Hoje já estamos em 2016 e o mundo não acabou. Ufa, que grande alívio!


A palavra Apocalipse, longe de significar fim do mundo, quer dizer revelação. Último livro do Novo Testamento aborda a revelação que Jesus fez ao seu discípulo João sobre os eventos que ocorreriam na Terra durante a transição para um mundo regenerado.


Portanto, nem o Apocalipse nem a profecia Maia estavam anunciando o fim do mundo e a extinção da humanidade, muito menos a ira divina descarregada sobre os homens para castigar aqueles que não souberam aproveitar as oportunidades dadas por Deus, mas o fim de um grande ciclo e o alvorecer de uma nova era, pois, em todos os quadrantes da Criação, a lei é sempre a mesma, tudo se renova para melhor e tudo se modifica para engrandecer. Imaginar que as profecias poderiam perverter os atributos divinos da sabedoria, da justiça e da sua infinita bondade, é duvidar da perfeição da Divindade, que nada faz que não seja para permitir que seus filhos progridam sempre. Aliás, Deus sendo eterno e imutável, não interfere na natureza, seja para punir ou para beneficiar, mas simplesmente se manifesta por leis também eternas e imutáveis que regulam os mundos e a vida de seus habitantes conforme as necessidades.


O Livro dos Espíritos, na questão 728, aborda a necessidade de que tudo se destrua para renascer e regenerar, porque o que chamamos destruição nada mais é que transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos. Ainda a questão 737 discorre sobre a necessidade de que ocorram flagelos destruidores para que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando em alguns anos aquilo que necessitaria séculos para acontecer.


Vivemos neste momento a grande transição evolutiva da humanidade da Terra. A Gênese, no capítulo XVIII, diz que os tempos são chegados e grandes acontecimentos vão se realizar para a regeneração da humanidade. O nosso globo, como tudo quanto existe, está sujeito à lei do progresso. Tempos de renovação física pela transformação dos elementos que o compõem, e renovação moral pela purificação dos Espíritos que o povoam, de renovação dos valores ético-morais, de grandes avanços científicos e tecnológicos, da descoberta dos recursos para a cura das doenças graves que dissipam populações. Tudo isso se tornará possível, graças à qualidade evolutiva dos Espíritos que estão encarnando na Terra.



Importante que se entenda que, embora já esteja ocorrendo a encarnação de Espíritos mais evoluídos, também encarnam aqueles que merecem uma última oportunidade de se regenerarem. E, esquecendo-se dos compromissos assumidos antes da encarnação, provocam atos que nos escandalizam, atos de violência e crueldade, atos de corrupção desmedida, atos de banalização moral, enfim atos que demonstram a ignorância quanto à oportunidade evolutiva que estão recebendo, como também da soberana Lei de Ação e Reação que rege todas as ações humanas e que, portanto ninguém se livra impunemente de seus atos. Como disse Jesus: “o escândalo há de vir, mas ai daquele por quem vier o escândalo”.

Ainda nos reportando à Gênese, essa renovação não é limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Assim está transcorrendo a depuração da humanidade terrena com a renovação gradativa da população espiritual. Enquanto uns são exilados para mundos menos evoluídos que a Terra porque menosprezaram a última oportunidade para se regenerarem, outros chegam para ajudar a construir a nova Terra, o mundo regenerado onde o bem vai predominar, onde o amor regerá as ações dos homens, onde os mais evoluídos ajudarão os menos evoluídos, onde as diferenças sociais serão diminuídas, onde serão superados os grandes desafios de abastecimento, de saúde e de educação dos povos.


A nós, diante da nossa pequenez, só nos resta continuar lutando contra nossas imperfeições e, imbuídos de fé incondicional, dizer: que assim seja!


(Publicado na 6ª edição do Jornal Fraterno Maria de Nazaré, em junho-julho de 2016.)

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